Vol. 1 Cap. 10 A Fórmula Perfeita junho 7, 2026
Ajude a bater a meta mensal de DOAÇÃO e vamos manter o site livre de anúncios!!
Meta 06/2026 (39,00%)Postado por miggigibe, ? Visualizações, Lançado em junho 7, 2026 Anterior ÍndicePróximo PDF
Telegram
Tradutor/Revisor: miggigibe
Com Cyril pendurado sobre o ombro, Nero disparou pela floresta mergulhada na escuridão. Mesmo em forma humana, sua visão noturna era superior à de um humano comum. Além disso, era muito mais forte que um humano comum e conseguia correr a toda velocidade com facilidade, mesmo carregando Cyril.
…Pensando bem*, pensou ele, *como esse cara gelado saiu escondido do dormitório?
Tanto o dormitório masculino quanto o feminino eram cercados por muros altos. Guardas vigiavam os portões durante a noite inteira. Entrar ou sair deveria ser bastante difícil.
Se alguém pudesse usar magia de voo para planar ou saltar pelo ar, seria outra história, mas magia de voo não era tão simples quanto parecia. Ela exigia controle de mana de altíssima precisão e boas capacidades físicas. Era uma técnica usada principalmente por magos de alto nível. Por isso Monica, com sua coordenação física abaixo da média, não conseguia usá-la.
Na minha opinião especializada, esse cara gelado se destaca em magia de gelo, mas não parece ser especialmente bom em mais nada.
A afinidade elemental de uma pessoa era determinada no nascimento, e a maioria dos magos comuns só conseguia manipular um único elemento. A capacidade de Monica de lidar com facilidade com artes mágicas avançadas, independentemente do elemento, era incomum de várias maneiras. Embora Nero às vezes se esquecesse disso, ela era uma integrante dos Sete Sábios, os maiores magos do reino.
Então o cara gelado provavelmente não consegue usar feitiços de vento. Mas ainda é bem impressionante ele usar magia de gelo tão bem nessa idade. Como Cyril, incapaz de usar magia de voo, saíra escondido do dormitório masculino?
A resposta veio no instante em que Nero chegou à entrada dos fundos do dormitório. Havia uma grande rachadura em uma parte do muro ao redor do prédio. Cyril devia ter passado por ali.
— Para uma academia de elite — murmurou Nero —, essa manutenção está bem relaxada.
— Pelo visto, gerações de alunos usaram essa rachadura para sair escondidos do dormitório e tomar um pouco de ar — disse uma voz atrás dele.
Nero se virou, ainda com Cyril sobre o ombro, e viu um aluno conhecido parado ali. Corpo alto e esguio, rosto agradavelmente belo e cabelos dourados brilhando suavemente ao luar. Era o segundo príncipe do Reino de Ridill, Felix Arc Ridill. Ele usava o uniforme da escola e segurava uma tábua bastante grande.
Enquanto Nero olhava para a tábua, Felix a apoiou contra o muro de modo a cobrir a rachadura.
— Normalmente escondemos a abertura com esta tábua, assim. Mas parece que Cyril não conseguiu recolocá-la no lugar desta vez.
Ah, pensou Nero. Então o príncipe também usa esse atalho com frequência. Assentindo para si mesmo, Nero tirou Cyril do ombro.
— Sim. Obrigado por seu esforço.
— Não importa o que ele diga que viu, diga que foi tudo alucinação causada pelo envenenamento por mana. Entendeu? Tudo o que ele viu foi alucinação.
— …Hmm?
Felix olhou para Cyril e logo voltou os olhos para Nero. Sua expressão era calma e gentil, mas seus olhos azuis observavam os movimentos de Nero com cautela.
— Ah, não sou ninguém importante. Mas, como sou muito legal, vou contar mesmo assim. O nome é Bartholomew Alexander.
Diante da fanfarronice de Nero, Felix levou a mão à boca e soltou uma risadinha.
— Esse é o mesmo nome do protagonista de um romance de aventura.
— Espere. Você conhece Dustin Gunther? — perguntou Nero, com a voz cheia de empolgação.
Ele sentiu sua simpatia pelo príncipe aumentar um pouco. Era uma convicção firme de Nero que qualquer pessoa que gostasse de Dustin Gunther só podia ser boa gente.
Felix deu de ombros.
— Já provei a maioria dos entretenimentos que este país tem a oferecer: romances, jogos, teatro — disse ele, sorrindo, embora o sorriso parecesse de algum modo vazio.
Nero franziu o cenho sem perceber. Esse sujeito me dá calafrios.
Apesar de ter nascido na família real e de ter sido abençoado com tudo o que poderia desejar, o príncipe tinha olhos vazios, como os de alguém que não possuía coisa alguma.
Felix ergueu Cyril com facilidade e então voltou-se para Nero, como se tivesse acabado de se lembrar de algo.
— Ah. É mesmo?
Nero odiava que lhe dissessem para seguir regras humanas. Afinal, eu não sou humano. As regras dos humanos não lhe diziam respeito. Ele apontou para Cyril com o queixo.
— Já que salvei o cara gelado para você, finja que não me viu.
— Sim, claro. Não vou interrogá-lo depois de você ter salvado Cyril.
— Ahhh?
Nero franziu as sobrancelhas com desconfiança e enfiou a mão nas dobras do manto. Depois de remexer no tecido, pareceu agarrar alguma coisa.
— Ou talvez você não precisasse me interrogar porque pretendia mandar seu espiãozinho me vigiar depois — disse ele, puxando a mão para fora do manto.
Entre seus dedos, ele segurava a cauda de um lagarto branco, cujo corpo pendia mole, balançando de um lado para o outro. Nero ergueu o lagarto diante do rosto.
— Parece gostoso! — ameaçou.
O lagarto debateu seus pequenos membros.
Nero mostrou os dentes afiados em um sorriso vilanesco.
— Um espírito de água, pelo jeito? Você provavelmente pretendia fazê-lo se esconder nas minhas roupas e ficar me vigiando. Que pena para você. Eu sou bem sensível à mana.
Espíritos eram como grandes massas de mana. Quanto mais alto o nível do espírito, mais difícil era para Nero não percebê-lo. Aquele lagarto branco era um espírito de água de alto nível, provavelmente contratado pelo príncipe. Mesmo diante do lagarto branco, porém, Felix manteve o sorriso calmo, e isso só o tornava ainda mais assustador.
Nero esperava uma reação mais forte, algo como O-o quê?! ou Quem é você afinal?! Infelizmente, o príncipe não demonstrou nenhuma agitação.
Entediado, Nero jogou o lagarto no chão e deu as costas a Felix.
— Até mais.
Antes de ir embora, Nero inclinou um pouco a cabeça e lançou um último olhar para trás. Felix não disse nada, apenas ficou parado ali, sorrindo em silêncio enquanto o via partir.
Escute aqui, príncipe cintilante*, disse Nero para si mesmo. *Não me importa o quanto você esteja entediado. Fique longe da minha preferida, entendeu?
Ele não queria revelar sua identidade continuando a conversa, então manteve a boca fechada, mas mostrou de novo os dentes afiados num sorriso vilanesco.
Se você quebrar a Monica, eu vou rasgá-lo em pedaços e devorá-lo.
Depois de ser jogado no chão, Wildianu se aproximou de Felix e encostou a cabecinha no chão, pedindo desculpas.
— Peço imensas desculpas por minha falta de força, senhor. Iniciarei a perseguição imediatamente e…
— Não, não se preocupe. Não queremos que você acabe sendo comido.
Embora Felix falasse em tom leve e jovial, Wildianu parecia profundamente envergonhado de sua própria incompetência.
De todo modo, Felix já havia desistido de perseguir o homem de cabelos negros. Não sabia quem ele era, mas sentia por instinto que simplesmente persegui-lo não resolveria.
Quem quer que fosse, não era humano. Provavelmente também não era um espírito, mas alguma outra coisa. Ainda assim, fosse qual fosse sua identidade, se não tinha intenção de fazer mal a Felix, então Felix ficaria mais do que satisfeito em deixar o assunto de lado por enquanto.
— Wil, volte para o meu bolso. Seria inconveniente se Cyril o visse.
— Sim, senhor.
Wildianu subiu serpenteando pela perna de Felix e se enfiou no bolso do príncipe. Quando terminou, Felix ajeitou Cyril nas costas e começou a andar.
Ele ouviu Cyril soltar um pequeno gemido. Pelo visto, ele havia recobrado a consciência.
— Ugh… Eu, eu… — murmurou ele, com a voz rouca.
Felix falou com seu tom habitual.
— Ei. Acordou?
— …Príncipe…?
Cyril piscou várias vezes e então olhou para Felix com olhos enevoados.
— …Causei problemas a Vossa Alteza.
— Ah, não me importo.
Normalmente, Cyril teria sugerido de imediato que lhe permitisse andar por conta própria. O fato de não protestar mostrava o quanto estava exausto.
Depois que Felix o levou até seu quarto, Cyril se deitou na cama, abatido, e olhou para ele.
Felix balançou a cabeça.
— Não, era um homem alto de cabelos negros.
— …Entendo — murmurou Cyril, fechando os olhos como se ponderasse algo.
De repente, curioso, Felix perguntou:
— Que tipo de alucinação você teve na floresta?
Por algum tempo, Cyril permaneceu em silêncio, como se não soubesse ao certo o que dizer. Provavelmente estava revendo, por trás das pálpebras fechadas, as ilusões que testemunhara.
Por fim, começou a falar devagar, ainda de olhos fechados.
— …Eu vi um monstro… Um monstro assustadoramente silencioso e assustadoramente poderoso… Acho que jamais esquecerei aquela visão enquanto viver.
Depois de entregar Cyril aos cuidados de Nero, Monica saiu da floresta, passou diante do dormitório feminino e seguiu em direção ao prédio da Academia Serendia. Ryn a observava impassível, com a cabeça tão inclinada para o lado que parecia uma boneca de pescoço quebrado. Aparentemente, aquela era sua forma de demonstrar confusão.
— Não vai voltar para o dormitório?
— …Tem, hum… uma coisa que eu queria, er, verificar.
— Verificar? — repetiu Ryn.
Monica contornou a Academia pelos fundos e parou diante do portão traseiro.
— …O broche de Lorde Ashley falhou, um, porque ele foi exposto a uma mana poderosa.
Como resultado, o broche mágico, que não possuía fórmula de proteção, havia apresentado defeito. O que levava à pergunta: qual fora a fonte da poderosa mana à qual Cyril fora exposto? Era lógico presumir que ele tivesse sofrido algum tipo de ataque mágico.
— Lorde Ashley estava, um, muito alterado antes — explicou ela. — Mais do que envenenamento por mana… os sintomas dele se pareciam mais com… efeitos colaterais de artes mágicas de interferência mental…
A interferência mental era um tipo perigoso de magia, proibido na maioria dos casos. Era possível usá-la para realizar lavagem cerebral simples ou mexer nas memórias de uma pessoa para fazê-la esquecer verdades inconvenientes, mas seus efeitos colaterais incluíam instabilidade mental e oscilações intensas de humor.
Ryn enfim pareceu compreender o ponto de Monica.
— Em outras palavras, o rapaz de agora foi atacado recentemente por alguém que usou artes mágicas de interferência mental, e isso fez o broche mágico dele falhar?
— …Sim.
E, se esse era o caso, Monica tinha uma boa ideia do que vinha acontecendo na academia.
Selma Karsh havia derrubado o vaso de flores por vingança contra a condenação de Aaron. Mas a verdade sobre Aaron fora escondida dos alunos. Eles haviam sido informados apenas de que ele havia deixado a escola voluntariamente para se recuperar de uma doença.
Então por que Selma sabia a verdade sobre a punição de Aaron? Logicamente, alguém devia ter contado a ela.
E o verdadeiro criminoso havia usado artes mágicas de interferência mental para desestabilizar Selma, tudo para colocá-la como cúmplice de Aaron.
Pensando bem, o comportamento de Aaron O’Brien também lembrava os efeitos colaterais de interferência mental.
Ele afirmara ter tido um cúmplice, mas também dizia não se lembrar do nome dessa pessoa. Selma afirmara que era a culpada por tudo, mas suas palavras e ações eram incongruentes. E agora Cyril fora lançado no caos, com a própria mana fora de controle.
E se os três tivessem sido afetados por um feitiço de alteração mental?
Quem tinha os meios e o motivo?
— …Senhorita Ryn, por favor, esconda-se por um momento.
— Imediatamente.
Ryn pousou em silêncio no galho de uma árvore próxima, a saia do uniforme de criada ondulando.
Enquanto Monica admirava aquela leveza singular dos espíritos do vento, avistou uma figura ao lado do prédio da escola. Ela puxou o capuz para trás e se aproximou.
A figura, que acabara de sair do prédio, viu Monica e olhou para ela com suspeita.
— Você é… Monica Norton, a aluna nova, não é? — disse ele, empurrando os óculos de modo irritadiço. — E o que exatamente está fazendo fora tão tarde da noite?
Era o professor responsável pela turma de Monica e orientador do conselho estudantil, Victor Thornlee. Em seus braços, ele apertava um grosso maço de papéis, como se fossem algo muito importante. Monica encarou fixamente os papéis, e o senhor Thornlee franziu a testa.
— Tenho certeza de que o toque de recolher já passou faz tempo. Sair tão tarde sem permissão é motivo para suspensão…
— Esses papéis — disse Monica, interrompendo-o enquanto apontava para os papéis que o senhor Thornlee segurava. — Para onde o senhor… está levando esses papéis?
Por um instante, o senhor Thornlee pareceu constrangido e sem palavras. Por trás dos óculos, seus olhos se desviaram ligeiramente.
— Não adianta trocá-los por outros. Eu memorizei todos os números de todos os documentos que vi.
— Trocá-los…? Do que você está falando? — perguntou o senhor Thornlee, com as faces repuxadas e a voz estranhamente aguda.
Até então, o rosto jovem de Monica sempre estremecera de medo, mas agora esse medo desapareceu. Era como quando ela lidava com números na sala do conselho estudantil. Uma luz brilhou no fundo de seus olhos verdes enquanto ela observava os documentos nas mãos do senhor Thornlee.
— Os registros contábeis do conselho estudantil estão uma bagunça há bastante tempo — disse ela.
Todos os anos, receitas e despesas não batiam. No fim, os números eram manipulados de forma descuidada apenas para que se alinhassem. Aquilo se tornara uma espécie de tradição para quem estivesse encarregado da tesouraria, para o orientador, ou qualquer outra pessoa envolvida.
Mas Monica havia percebido uma coisa durante sua revisão.
— Cinco anos atrás — continuou ela —, a forma como os números eram falsificados ficou mais sofisticada. E, além disso, os valores começaram a ficar cada vez maiores.
Depois que Aaron O’Brien se tornou tesoureiro um ano antes, os valores apenas aumentaram ainda mais.
— Cinco anos atrás… foi quando o senhor foi nomeado orientador do conselho estudantil.
— O que isso tem a ver com…?
— O cúmplice de Aaron O’Brien no desvio de dinheiro foi o senhor, senhor Thornlee.
Farfalha, farfalha. Os papéis deslizaram uns contra os outros ao cair das mãos do senhor Thornlee.
Enquanto Monica se distraía com isso, o senhor Thornlee imediatamente encurtou a distância entre eles e agarrou o pulso direito dela para mantê-la presa. Ele encarou Monica com olhos cheios de ódio e cuspiu em voz baixa:
— Para uma aluna fracassada, você é bem perspicaz.
— …Por favor, me… solte!
Monica tentou se desvencilhar, mas quanto mais resistia, mais irritado o senhor Thornlee ficava. Os olhos com que ele a encarava de cima queimavam com um ódio denso e concentrado.
— Pesquisa em artes mágicas custa dinheiro, sabia? E minha pesquisa é tão excelente… bem, uma garota medíocre como você jamais seria capaz de compreendê-la, nem que tentasse a vida inteira.
O senhor Thornlee apertou o pulso de Monica com tanta força que quase o quebrou. Então, com a outra mão, cobriu o rosto dela. Ela ouviu um encantamento baixo. A fórmula era de…
Interferência mental!
Quando o senhor Thornlee terminou de entoar o encantamento, uma luz branca jorrou de sua mão.
— Grave isto em seus olhos: minha fórmula perfeita!
A visão de Monica ficou branca.
Cada partícula de luz era formada por minúsculos símbolos mágicos. O fluxo da luz em si compunha uma única fórmula mágica. Monica olhou diretamente para ela, sem desviar o olhar.
— Você não viu nada. E vai esquecer os números dos registros contábeis… Entendeu?
A sugestão do senhor Thornlee era como uma cunha martelada na cabeça de uma pessoa. Tentar resistir a essa sugestão causava uma dor intensa, como tentar arrancar a cunha de volta.
Mas, antes que ela pudesse cravar-se na mente de Monica, a cunha se dissipou.
— …O quê…?
A fórmula mágica do senhor Thornlee entrou em colapso, e as partículas de luz perderam o brilho. Monica ergueu os olhos para ele em silêncio. Os olhos dele estavam arregalados. Naquele rosto jovem e inocente havia uma expressão de claro desgosto.
Monica raramente ficava zangada com qualquer coisa. Não importava o quanto zombassem dela, quantas vezes a chamassem de desastrada, burra ou incapaz de fazer coisas normais, ela só conseguia abaixar a cabeça, porque era verdade.
…Mas números e artes mágicas eram diferentes.
O ato de macular equações e fórmulas mágicas perfeitas e belas era a única coisa que ela jamais conseguia tolerar.
A fórmula mágica do senhor Thornlee era igual aos livros contábeis alterados. Estava muito distante das fórmulas perfeitas e belas que Monica tanto amava.
— …Isto não é… perfeito nem de longe.
O senhor Thornlee encarou Monica com os olhos injetados.
Normalmente, Monica teria se encolhido de medo e baixado a cabeça com lágrimas nos olhos. Mas a fórmula horrorosa do senhor Thornlee havia acendido um fogo em seu coração. Aquilo havia ofendido seu orgulho como maga.
Ela continuou:
— Feitiços de interferência mental exigem controle delicado de mana e compreensão complexa e precisa de fórmulas mágicas. A sua está cheia de falhas… longe, muito longe… de ser perfeita.
— Absurdo! Ela é perfeita…!
— …E, mesmo assim, alguém como eu conseguiu bloqueá-la?
— Silêncio!
O senhor Thornlee começou a entoar outro encantamento. A primeira fórmula servia para selar parte das memórias de uma pessoa, mas este encantamento era mais cruel. Destruiria por completo a mente do alvo.
Ele ergueu a palma brilhando em branco.
— Uma tola incapaz de compreender minha excelência fica melhor como uma boneca muda!
No instante em que a mão direita dele tocou a cabeça de Monica, ela usou a própria mana para interferir na fórmula mágica dele. Era um movimento extremamente incomum, possível apenas para alguém com um nível muito alto de habilidade. Monica o executou com facilidade.
Primeiro, decifrou a fórmula que o senhor Thornlee havia tecido. Depois a desmontou, desfazendo-a como um emaranhado de fios cheios de nós. Até aí, era o mesmo que fizera ao anular o primeiro feitiço. A luz branca estourou e se dissipou, espalhando partículas luminosas ao redor.
Mas, desta vez, depois de desmontá-la, ela manteve o feitiço ativo e o reteceu em algo próprio. Algo mais complexo, mais preciso e mais belo. Algo perfeito.
As partículas de luz dispersas começaram a girar ao redor dela, como se cada uma tivesse vontade própria, até enfim assumirem formas.
O que é isto? O que está acontecendo? pensou Victor Thornlee, ofegando em choque.
As partículas de luz, cujas formas antes não tinham significado, haviam se transformado em borboletas brancas e brilhantes. Elas deixavam para trás rastros de pó cintilante enquanto voavam pela escuridão. Era uma visão fantástica, bela o bastante para causar um arrepio.
Contudo, qualquer pessoa com o mínimo conhecimento de artes mágicas ficaria boquiaberta.
Cada uma daquelas borboletas… é uma fórmula mágica? E são incrivelmente avançadas…
Segundo antigos textos de artes mágicas, fórmulas de interferência mental verdadeiramente perfeitas assumiam a forma de borboletas. E agora, dançando diante de seus olhos, havia lindas borboletas construídas apenas de fórmulas mágicas.
Aquela era a fórmula aperfeiçoada que ele jamais conseguira alcançar, apesar de recorrer ao crime e despejar toda a sua paixão nesse esforço. E quem havia tecido aquela fórmula com tamanha facilidade, sem sequer entoar encantamento, era uma garotinha por quem ele só sentira desprezo.
Ela tinha aparência desleixada, certamente inadequada para aquela academia. Ainda assim, não apenas havia desvendado o desvio de dinheiro de Thornlee, como também havia neutralizado suas artes mágicas.
Ela demonstrara, como maga, o abismo de habilidade que existia entre os dois.
— Não… não é possível… Não pode ser… Como você, logo você… tem uma fórmula tão perfeita… e sem encantamento…?
Enquanto falava, a compreensão o atingiu.
Humanos precisavam entoar encantamentos para usar artes mágicas. Mas havia uma única pessoa neste reino que tornara possível o impossível.
Uma garota genial, escolhida como integrante dos Sete Sábios dois anos antes, aos quinze anos, como um dos ápices das artes mágicas.
A mesma gênia que revelara uma fórmula mágica ainda mais avançada do que aquela que Thornlee desenvolvera ao longo de vinte anos, chocando o mundo mágico e destroçando o orgulho dele.
— Você… Você não pode ser a Bruxa Silen—
Como se quisessem interrompê-lo, as borboletas brancas começaram a grudar no corpo de Thornlee, uma após a outra. Quando ele tentou arrancá-las, elas cobriram seus dedos.
— Pare, não…! Pare com isso! Por favooor!
As borboletas brancas cobriram sua boca aberta num grito estridente e seus membros que se debatiam.
Por fim, incapaz de se mover, Thornlee usou o olho direito, mal visível através do casulo de borboletas, para gravar na memória a imagem da bruxa que fizera aquilo com ele.
Uma garota pequena, magra, de feições jovens. Seus olhos verdes, com um toque de castanho, encaravam-no sem emoção, brilhando como joias sob a luz das borboletas brancas.
E aquele monstro em forma de menina, a Bruxa Silenciosa, falou com calma e sem misericórdia.
— O feitiço vai durar vinte e quatro horas. Você vai sonhar com…
Victor Thornlee estava em um campo gramado.
Ele conhecia aqueles campos. Eram as planícies de sua terra natal.
Mas por que estava naquele campo vazio? Ele era bom demais para acabar enterrado em um lugar como aquele.
Dinheiro. Não há dinheiro suficiente. Pesquisa em artes mágicas custa dinheiro. Com dinheiro, eu posso realizar pesquisas ainda melhores. E então posso recuperar a dignidade que a Bruxa Silenciosa roubou de mim…
Para isso, incitara o tolo Aaron O’Brien e enfiara as mãos na vasta riqueza da Academia Serendia. Ainda assim, aquele príncipe de olhos afiados havia percebido o desvio de Aaron.
Aquele príncipe de enfeite, aquele mero fantoche do Duque Clockford!
E depois Cyril Ashley, o vice-presidente. Ele percebeu que era eu quem desviava o dinheiro. Fui tolo em me limitar a apagar suas memórias. Eu deveria tê-lo submetido à lavagem cerebral. Na verdade, por que não faço o mesmo com o próprio presidente, o segundo príncipe? Então eu poderia usar o dinheiro da academia como bem entendesse! Estaria com a vida ganha. Ah, por que não percebi antes como era simples? Sim, só preciso transformar o segundo príncipe em meu fantoche! E… Ah, sim, preciso retomar minha pesquisa imediatamente!
Triunfante, o senhor Thornlee começou a caminhar pelo campo. Então percebeu algo à sua frente. Ora, aquilo é…
— Oinc.
Um porco. O que um porco está fazendo num lugar destes?
Sem pensar, ele parou e esfregou os olhos. De repente, havia dois porcos. Enquanto se perguntava de onde estavam vindo, ainda mais começaram a aparecer.
Dois se tornaram três. Três se tornaram cinco. Cinco se tornaram oito. Oito se tornaram treze…
Quando percebeu, não conseguia ver nada além de porcos ao seu redor.
À direita, à esquerda, à frente, atrás. Porcos, porcos, porcos, até onde a vista alcançava…
Por fim, ouviu ao longe o som de rodas de carroça. Todos os porcos começaram a se arrastar na direção do barulho. Mesmo assim, os números não paravam de aumentar.
— Ei… o que é…? Não, parem! Parem, não, alguém… Nãããão!
O mundo diante dos olhos do senhor Thornlee agora estava soterrado por porcos até o horizonte.
Enquanto o senhor Thornlee gritava, foi soterrado pela manada de porcos até, enfim, desaparecer.
Monica se agachou ao lado do senhor Thornlee e tomou a cabeça dele nos braços. Ele espumava pela boca, e os olhos estavam revirados.
— O-o que eu faço agora? Eu… eu exagerei…
Quando o senhor Thornlee exibira sua fórmula imperfeita diante dela, Monica não conseguira evitar se exaltar.
No Reino de Ridill, o uso de artes mágicas de interferência mental só era permitido em interrogatórios de acusados de crimes graves ou em situações de emergência nacional, com permissão da Guilda dos Magos ou dos Sete Sábios.
— …Hum, acho que eu poderia dizer que o senhor Thornlee cometeu um crime grave, já que estava prejudicando indiretamente a realeza? E membros dos Sete Sábios têm uma exceção especial, então isso provavelmente não será considerado uma violação da lei. Mas… E-e se for…? Louis vai ficar tão bravo comigo… Espere, isso quer dizer que eu vou ser e-e-e-executada…?!
Enquanto Monica murmurava para si mesma, quase chorando, Ryn se aproximou por trás dela e tocou suas costas.
— Acredito que Lorde Louis diria algo assim.
Então ela levou a mão ao peito e continuou:
— Tudo é permitido, desde que ninguém descubra.
Monica quase conseguia ver diante de si o sorriso bonito e malicioso de Louis Miller. Ela enxugou as lágrimas na manga enquanto Ryn erguia sem esforço o senhor Thornlee, de olhos brancos.
— Entregarei este homem a Lorde Louis. Creio que ele irá tortu… interrogá-lo, e então descartá-lo conforme necessário.
— Um, sim, obrigada…
Mesmo deixando de lado o papel de Victor Thornlee em todo o desvio de dinheiro, usar sem permissão um feitiço de interferência mental, uma técnica proibida, significava que caberia à Guilda dos Magos decidir o que fazer com ele.
Talvez houvesse confusão na Academia pelo desaparecimento repentino de um professor, mas Louis também faria algo a respeito. Provavelmente. Monica soltou um suspiro de alívio.
No ombro de Ryn, o senhor Thornlee murmurava sozinho:
— Os porcos… Os porcos…
Confusa, Ryn perguntou:
— Que tipo de sonho ele está tendo no momento, exatamente?
— Um, bem…
Monica mexeu os dedos, então sorriu só um pouquinho e disse:
— Ele está sonhando com uma sequência de números muito bela. Anterior Próximo 🛒
Vai comprar algo no Mercado Livre?
Apoie a Central Novel usando nosso link de afiliados — o preço não muda pra você!! 💙
Faça uma Doação e ajude a manter o site ativo!
Conheça nossa Assinatura VIP e seus benefícios!!
## Comentários
(link externo)
5 1 votoAvalie!
Conectar comDEu permito criar uma contaQuando você faz login pela primeira vez usando um botão de Login Social, coletamos informações públicas do seu perfil da conta compartilhadas pelo provedor de Login Social, com base nas suas configurações de privacidade. Também obtemos seu endereço de e-mail para criar automaticamente uma conta para você em nosso site. Uma vez que sua conta é criada, você será conectado automaticamente a essa conta.DiscordoConcordoNotificar de Novas respostas aos meus comentários
Label
Nome*
Email*
Conectar comDEu permito criar uma contaQuando você faz login pela primeira vez usando um botão de Login Social, coletamos informações públicas do seu perfil da conta compartilhadas pelo provedor de Login Social, com base nas suas configurações de privacidade. Também obtemos seu endereço de e-mail para criar automaticamente uma conta para você em nosso site. Uma vez que sua conta é criada, você será conectado automaticamente a essa conta.DiscordoConcordo
Label
Nome*
Email*
Mais recente
Mais Antigo Mais votado Inline FeedbacksVer todos os comentários

Comentários (0)
Faça login pra comentar
EntrarNenhum comentário ainda. Seja o primeiro!