Vol. 1 Cap. 2 A vilã é fã da Bruxa Silenciosa maio 30, 2026
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Meta 06/2026 (39,00%)Postado por miggigibe, ? Visualizações, Lançado em maio 30, 2026 Anterior ÍndicePróximo PDF
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Tradutor/Revisor: miggigibe
Toda criança no Reino de Ridill conhecia a cantiga infantil “Os Porcos do Velho Sam”.
O velho Sam criava muitos porquinhos.
No primeiro inverno, vendeu um.
No segundo inverno, vendeu um.
No terceiro inverno, vendeu dois.
No quarto inverno, vendeu três.
No quinto inverno, vendeu quatro.
Enquanto as rodas da carroça faziam clac-clac,
Os porquinhos choravam oinc-oinc.
Se, no sexto inverno, ele vendeu oito porquinhos,
Quantos vendeu no décimo inverno?
Monica estava a caminho da residência de Louis, na capital real, mas sua mente estava completamente tomada por “Os Porcos do Velho Sam” — mais especificamente, por quantos porcos estavam sendo vendidos.
Se a resposta do enigma da cantiga for a soma dos dois anos anteriores, então, no décimo ano, ele venderia cinquenta e cinco… No décimo primeiro, oitenta e nove, e no décimo segundo…
Dentro da própria cabeça, principalmente como uma forma de fugir da realidade, ela continuou calculando longamente o número de porcos. Quando chegou a 10.946 porcos, Louis, sentado ao seu lado, disse:
— Você não parece bem, minha colega Sábia.
— …e no vigésimo oitavo seriam 317.811 porcos, no vigésimo nono seriam 514.229 porcos…
— Alô? Minha colega Sábia?
Louis a cutucou, enfim arrancando-a daquela criação de porcos em proliferação acelerada e trazendo-a de volta à realidade.
— D-desculpe! Eu só estava, hum, pensando em algumas coisas…
— Pensando em algumas coisas?
Monica se calou, incapaz de admitir que estava calculando quantos porcos seriam enviados ao mercado.
Naquele momento, eles voavam pelo ar graças à magia de vento de Ryn, o espírito que firmara contrato com Louis. Magia de voo era extremamente difícil e consumia muita mana. Até mesmo um alto mago ficaria sem fôlego depois de cerca de trinta minutos.
Ryn, no entanto, era um espírito, o que lhe permitia realizar a proeza de se deslocar em alta velocidade pelo ar. Ela havia envolvido Louis, Monica e até Nero — que se enfiara na bagagem — em uma redoma hemisférica de vento. Como espírito, possuía muito mais mana do que os humanos, e seu talento para usá-la fazia com que não precisasse entoar encantamentos.
Sempre que testemunhava o quanto espíritos eram incríveis, Monica era lembrada de que sua própria capacidade de usar magia sem encantamento não era tão impressionante assim, considerando o panorama geral. As pessoas só a admiravam e elogiavam por isso porque ela era humana.
A senhorita Ryn é incrível, mas o senhor Louis também é, por ter um contrato com ela…
Monica, por outro lado, não passava de uma pesquisadora reclusa cujo único ponto forte era conseguir conjurar feitiços um pouco mais depressa. E mesmo assim ele quer que eu proteja alguém da realeza…, pensou, apertando a mala de viagem onde Nero estava escondido e abaixando a cabeça.
Nesse instante, Ryn, que seguia à frente mantendo o campo, girou apenas a cabeça para conseguir ver Louis e Monica sem mover o corpo. O movimento parecia o de uma boneca de pescoço quebrado. Monica levou um susto, mas a bela criada permaneceu impassível — o que só a fazia parecer ainda mais uma boneca.
— Chegaremos em breve — anunciou ela. — Em vista disso, tenho uma proposta de método de pouso completamente inédito…
— Não será necessário. Por favor, desça conosco em segurança.
Ryn continuou séria, mas sua resposta soou, de algum modo, decepcionada.
— Como desejar, senhor.
Assim que entraram em uma área residencial, ela os pousou suavemente, conforme ordenado.
A mansão de Louis era relativamente modesta, porém limpa e bem-cuidada. Monica presumira, a princípio, que seria mais extravagante. A simplicidade surpreendentemente doméstica do lugar a pegou desprevenida.
— Bem-vinda à minha humilde morada — disse Louis, abrindo a porta.
Lá dentro, Monica avistou uma mulher que parecia ter cerca de vinte e poucos anos. Louis abriu imediatamente um sorriso.
— Cheguei, Rosalie.
Seu tom estava bastante animado. A mulher devia ser sua esposa, Rosalie Miller.
Comparada à elegância da aparência e das roupas de Louis, ela era um pouco mais simples. Vestia roupas sem muitos adornos, mas de um corte que permitia liberdade de movimento. Os cabelos castanhos estavam presos atrás da cabeça.
Tudo na postura de Louis indicava que ele sentira muita falta da esposa, mas a atitude de Rosalie era indiferente. Em vez disso, ela encarou Monica sem sorrir enquanto Monica se escondia atrás dele.
Ela não está brava porque o marido trouxe uma garota jovem para casa sem avisar, está? pensou Monica.
Inquieta, ela abaixou o olhar para escapar do de Rosalie, mas a mulher caminhou rapidamente até ela, segurou o rosto de Monica entre as mãos e o ergueu.
— Iii?!
— Com licença um momento.
Enquanto Monica enrijecia de terror, Rosalie afastou sua franja e puxou suas pálpebras inferiores.
— H-hum, eu, o q-que…?
— Fique quieta — ordenou Rosalie. — Agora abra bem a boca.
Monica obedeceu. Rosalie examinou sua cavidade oral. Depois verificou todas as outras partes do corpo, até as mãos e as unhas.
— Movimento ocular normal, sem gengivite. Parte interna das pálpebras inferiores esbranquiçada, unhas esbranquiçadas também. Pele seca… Desnutrição, além de sinais de anemia. Quantos anos você tem?
Com a expressão séria de Rosalie bem diante de si, Monica, já quase chorando, respondeu com a voz trêmula:
— V-vou fazer, hum, dezessete este ano…
— E está magra demais para a sua idade. O que costuma comer? Média diária de sono?
— V-varia bastante, eu acho…
Quanto mais Monica respondia às perguntas, mais severa se tornava a expressão de Rosalie. Depois de mais algumas rodadas, Louis olhou para a esposa, parecendo querer muito receber um pouco da atenção dela.
— Rosalie — disse ele —, seu marido recém-casado chegou em casa. Não vai me dar um beijo de boas-vindas?
— A paciente vem em primeiro lugar — respondeu Rosalie, cortando a sugestão sem hesitar.
— Eu estou… saudável… — insistiu Monica, quase inaudível.
Rosalie balançou a cabeça e declarou:
— Não sei quem você é nem de onde veio, mas não é preciso ser médica para ver que você é a própria imagem da falta de saúde. Minha prescrição é comer bastante e descansar bastante. Também recomendo tomar um banho e trocar essas roupas.
Não havia dúvida de que ela era esposa de Louis. Havia muitas diferenças entre os dois, mas o jeito direto, franco e sem rodeios de se comunicar era exatamente o mesmo.
Enquanto Monica abria e fechava a boca sem conseguir emitir som algum, Louis deu de ombros, resignado.
— Rosalie é médica. Talvez seja melhor seguir as instruções dela, para o seu próprio bem, minha colega Sábia.
Depois de ser mandada para o banho por Rosalie Miller, receber uma refeição quente e trocar de roupa, Monica finalmente teve a chance de respirar enquanto seguia para o quarto de hóspedes da mansão. No caminho, Nero enfiou a cabeça para fora da bolsa dela — ele passara a viagem inteira ali dentro. Mas, quando Louis entrou no quarto, ele imediatamente mergulhou de volta para dentro.
Lançando um olhar desinteressado para Nero, Louis disse:
— Rosalie insiste que você precisa tirar uma soneca, mas, antes disso, devo apresentá-la à nossa convidada, que chegará em breve.
— C-convidada? — Monica ficou tensa.
Louis assentiu, então disse o nome:
— A filha do conde Kerbeck, Lady Isabelle Norton.
Lady Isabelle era cúmplice de Monica naquela missão e ingressaria com ela na Academia Serendia. Ele tem razão, pensou Monica. Provavelmente é melhor vê-la antes de irmos para a escola.
Então uma dúvida lhe ocorreu.
— H-hum, “Kerbeck” não é o sobrenome dela?
— Perdão?
Louis parecia não ter entendido a pergunta. Monica brincou com os dedos e disse:
— Hum, bem, ela é a filha nobre do conde Kerbeck, então achei que o nome dela seria Isabelle Kerbeck…
— Kerbeck é o título de nobreza deles. A maioria dos nobres de posição igual ou superior à de conde é chamada pelo título de nobreza, não pelo sobrenome.
— …?
Como Monica parecia confusa, a expressão de Louis endureceu, e um músculo em sua bochecha se contraiu.
— Minha colega Sábia, quanto você sabe sobre os títulos nobiliárquicos?
Monica apenas balançou a cabeça. O sorriso enfim desapareceu do rosto de Louis.
— Você ao menos sabe listar os títulos do nosso reino do mais alto ao mais baixo, não sabe?
— …B-barão, marquês, duque, conde?
Diante da resposta confusa dela, Louis abriu um sorriso magnífico que sem dúvida dizia: Você é uma idiota, garota.
— Nem um único deles está na posição correta, e você ainda se esqueceu por completo dos viscondes.
— …Iii!
— Para alguém que conhece os nomes de mais de cem partículas mágicas, como consegue não se lembrar de cinco títulos nobiliárquicos?
A única coisa que ela poderia dizer era que nunca se interessara. Mas, se fosse tão direta, ele certamente começaria a despejar insultos, então ela apenas abaixou os olhos em silêncio.
Louis empurrou o monóculo para cima com a ponta do dedo e soltou um suspiro.
— Primeiro, tente colocar pelo menos isto na cabeça. Em Ridill, os títulos nobiliárquicos são, do mais alto ao mais baixo: duque, marquês, conde, visconde e barão. Há outros títulos abaixo desses para a baixa nobreza, mas vou poupá-la dos detalhes. Por ora, apenas se lembre de que, se algum dia encontrar alguém que seja duque ou duquesa, isso significa que essa pessoa muito provavelmente pertence à linhagem real.
Gravando as palavras dele na memória, Monica murmurou:
— C-condes são mais importantes do que eu esperava.
Para dizer a verdade, ela achava que conde era o título mais baixo.
Os olhos de Louis se arregalaram até o limite enquanto ele a encarava, incrédulo.
— …Minha colega Sábia? Você se lembra de que possui um título nobiliárquico, não se lembra?
Os Sete Sábios recebiam um título especial chamado “conde mágico”, equivalente ao de um conde comum. Em outras palavras, Monica também era nobre.
Ela também era uma rara mulher detentora de título, uma entre menos de dez em todo o reino… mas, para alguém que passara dois anos isolada em uma cabana nas montanhas, certamente não se via como nobre.
Agora que pensava melhor, lembrava-se de ter recebido um monte de coisas ao se tornar integrante dos Sete Sábios, como um certificado de título nobiliárquico e um anel. Ela havia esquecido onde os colocara. Provavelmente estavam enterrados em algum lugar sob as pilhas de papel em sua cabana.
Quando Monica confessou isso, Louis franziu a testa, entrelaçou os dedos e suspirou.
Então ouviram uma batida na porta. A voz de Ryn veio do lado de fora.
— A jovem dama da Casa Kerbeck chegou.
Louis lançou um olhar para Monica e disse:
— Vamos.
Monica, segurando o estômago dolorido, levantou-se cambaleante.
— Ohhh-ho-ho-ho-ho! Um bom dia para vocês!
Uma risada aguda ecoou, provavelmente audível de qualquer lugar da mansão. A fonte era a pessoa que Monica fora encontrar: uma garota mais ou menos da mesma idade que ela. Usava um vestido escarlate com bordados extravagantes. Seus cabelos de cor viva, com um toque alaranjado, estavam cheios de cachos esplêndidos.
Monica ficou parada diante da porta, completamente tomada pelo espanto. Lady Isabelle Norton, filha do conde Kerbeck, levou um leque aos lábios e estreitou os olhos para Monica com uma expressão maldosa.
— Ora, ora, olá, tia Monica. Magra e abatida como sempre, pelo que vejo. Pensar que seu nome mancha a árvore genealógica da Casa Kerbeck… ah, isso me envergonha profundamente!
Embora Monica não entendesse do que ela estava falando, a hostilidade clara na voz da garota a feriu. Como tinha o coração frágil, Monica era muito sensível quando os outros se voltavam contra ela. Era tão tímida que até o menor espinho a fazia murchar.
E agora que Isabelle deixara sua malícia evidente, lágrimas imediatamente começaram a se formar em seus olhos.
Mas, antes que ela se encolhesse ali mesmo, a expressão cruel de Isabelle desapareceu, substituída por um sorriso encantador.
— Como foi? Não soou exatamente como uma vilã? Tenho praticado essa voz todos os dias desde que recebi esta missão! Estou confiante de que minha risada é mais aguda que a de todas as concorrentes!
Uma risada pode ser aguda? Do que ela está falando? Monica arregalou os olhos, perplexa.
Isabelle pareceu se dar conta de algo.
— Ah, céus. Que descortesia da minha parte. Nem me apresentei. — Ela ergueu a barra do vestido e fez uma reverência elegante, digna de uma bela donzela. — É um prazer conhecê-la, Lady Monica Everett, a Bruxa Silenciosa. Sou Isabelle Norton, filha de Azure Norton, conde Kerbeck. A senhora nos prestou um serviço imensurável ao matar o dragão negro. Em nome de meu pai e de nosso povo, ofereço-lhe nossa mais profunda gratidão.
Enquanto Monica permanecia ali, imóvel como uma estátua pelo choque, Isabelle sorriu para ela. Era um sorriso incrivelmente fofo — e, acima de tudo, amigável. Nenhum vestígio da maldade anterior permanecia nele.
— Ah, pensar que a Sábia que derrotou o temível Dragão Negro de Worgan e derrubou aquela horda de pterodragões do céu é uma pessoa tão adorável! Quando perguntei sua idade, disseram-me que há apenas um ano de diferença entre nós!
Se temos um ano de diferença, então ela faz dezoito este ano, pensou Monica em um canto de sua mente paralisada.
Enquanto isso, Isabelle tomou sua mão, com as faces coradas de um rosa suave.
— Ah, por favor… permitiria que eu a chamasse de irmã mais velha, Monica?
Mas, ao que parecia, ela na verdade era mais nova.
— Ah, eu, hum, bem…
Enquanto Monica se atrapalhava, Louis, que assistia à troca sorrindo do sofá, interveio:
— Minha colega Sábia, que tal cumprimentar Lady Isabelle e agradecer por ela ter se oferecido para ajudar?
— E-eu… P-prazer em, hum, c-conhecê-la… — balbuciou Monica, com a respiração falhando.
Louis deu de ombros, resignado.
— Peço imensas desculpas, Lady Isabelle. A Bruxa Silenciosa é um tanto tímida, como vê.
— Não, não, não me importo nem um pouco. Minha irmã pode ser tímida, mas… eu sei que ela é valente e mais forte do que qualquer um!
De quem ela está falando?* pensou Monica. *Eu mal sou forte. E com certeza não sou “valente”.
Mas Isabelle estava perdida em seu próprio mundo. Quando falou, foi em êxtase, com as mãos nas faces rosadas.
— Dizia-se que até mesmo os Cavaleiros dos Dragões teriam dificuldade em matar o Dragão Negro de Worgan. As chamas que ele cospe são as chamas do submundo. Elas conseguem incinerar até barreiras mágicas! É o dragão mais forte e perverso de todos! E, ah, matá-lo sozinha… isso não é algo que qualquer um possa fazer! E, além de tudo, a senhora partiu sem dizer uma palavra depois de cumprir o feito… É… É simplesmente… Foi tão incrível!
— Hum… Eu, bem…
O único motivo pelo qual Monica participara da caça ao dragão negro era porque Louis praticamente a arrastara para fora da cabana nas montanhas, dizendo: “Que tal se exercitar um pouco de vez em quando?”. Ela recusara participar do banquete não por modéstia, mas por timidez.
Mas, para Isabelle, que não sabia de nada disso, Monica evidentemente parecia uma maga valente, humilde e poderosa. Era um enorme mal-entendido, mas Monica não tinha eloquência suficiente para explicar tudo.
E quanto a Louis… ele tentava tirar o máximo proveito possível da situação.
— Irmã Monica! Soube de sua missão de infiltrar-se na Academia Serendia para proteger o príncipe Felix! Considero uma grande honra poder auxiliá-la neste assunto! Eu a atormentarei, humilharei e afligirei tanto que ninguém jamais suspeitará de nada! Assim, poderá se concentrar em proteger Sua Alteza Real sem se preocupar com mais nada!
Quando terminou, Isabelle tomou a mão de Monica e a sacudiu com vigor.
Monica, que não conseguia fazer nada além de se deixar levar pela correnteza dos acontecimentos, apenas conseguiu assentir. Anterior Próximo 🛒
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