Vol. 1 Cap. 4 A maior das provações — apresentações junho 1, 2026
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Meta 06/2026 (39,00%)Postado por miggigibe, ? Visualizações, Lançado em junho 1, 2026 Anterior ÍndicePróximo PDF
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Tradutor/Revisor: miggigibe
Monica jamais se esforçara para memorizar o rosto das pessoas. Vivendo sozinha em sua cabana nas montanhas, bastava reconhecer o mínimo indispensável de pessoas conhecidas.
Infelizmente, por causa disso, ela não fazia ideia de como era o rosto da própria pessoa que deveria proteger: o segundo príncipe. E, se pretendia estudar ali enquanto o protegia, também teria de memorizar os nomes e rostos de todos ao redor dele. Assim, desde que chegara à Academia Serendia, Monica finalmente vinha se esforçando para se lembrar das pessoas outra vez.
Quando queria, Monica tinha facilidade para memorizar rostos. Ela possuía uma espécie de habilidade especial: até certo ponto, conseguia medir comprimentos e ângulos apenas olhando, sem precisar de régua nem de qualquer outro instrumento. Portanto, tudo o que precisava fazer era calcular as larguras e os ângulos das feições de uma pessoa e memorizar esses números.
— Monica Norton, este é o seu professor responsável, o senhor Thornlee.
No primeiro dia de aulas, o diretor a levou até a sala dos professores e a apresentou ao senhor Thornlee. O homem parecia ter por volta de quarenta anos e usava os cabelos negros, já salpicados de grisalho, penteados para trás. Tinha as bochechas magras, óculos redondos e feições que lhe davam um ar tenso e severo.
Monica gravou o rosto dele – ou melhor, os números dele – na memória: o ângulo do maxilar e a largura dos olhos.
É o professor que estava com os membros do conselho estudantil ontem…
O senhor Thornlee, porém, não parecia se lembrar dela, pois não fez nenhuma menção específica aos acontecimentos do dia anterior.
— Meu nome é Victor Thornlee — disse ele. — Ensino Fundamentos das Artes Mágicas.
— O senhor Thornlee é formado pelo Instituto Minerva. Possui certificação de alto mago, além de várias distinções concedidas pela Guilda dos Magos pela invenção de novas fórmulas mágicas…
O diretor continuou falando, vangloriando-se da história e das conquistas do senhor Thornlee como se fossem suas.
Ser formado pelo Instituto Minerva, a maior instituição de formação de magos do reino, e possuir certificação de alto mago fazia dele parte da elite entre as elites. Monica entendia por que o diretor se orgulhava tanto de tê-lo como professor. Afinal, o conhecimento de artes mágicas era considerado uma forma de refinamento entre aristocratas.
— O senhor Thornlee também atua há cinco anos como orientador do conselho estudantil. É difícil exagerar a honra que representa orientar o conselho estudantil da Academia Serendia…
— Diretor, precisamos ir em breve — interrompeu o senhor Thornlee, consultando o relógio de bolso em sua mão esquerda.
O diretor abriu um sorriso largo, desculpou-se com suavidade e voltou para seu assento.
O senhor Thornlee ajeitou os óculos com gestos irritadiços e então olhou para Monica como se a estivesse avaliando.
— A propósito, ainda não ouvi você se apresentar.
— U-um… B-bem… — Monica baixou os olhos e começou a mexer os dedos.
O professor lançou-lhe um olhar cortante.
— Postura ereta!
— S-sim, senhor!
A repreensão fez Monica estremecer e erguer o rosto de novo. Ainda assim, ela estava assustada demais para encará-lo diretamente nos olhos. Enquanto seu olhar vagava, o senhor Thornlee soltou um suspiro ostensivo.
— A Academia Serendia é uma das maiores escolas do país. Esperamos de nossos alunos certo grau de caráter e um nível impecável de refinamento em suas atitudes.
Monica percebeu que ele insinuava que ela não tinha nenhum dos dois. Na verdade, antes de ser nomeada para os Sete Sábios, ela era plebeia, então de fato não possuía o “refinamento” próprio de quem fora criado como nobre.
— Ao menos consegue me oferecer uma saudação adequada?
— Eu… e-eu sinto mui—
— Lamentável — disse o senhor Thornlee, cortando a desculpa desajeitada no meio e se afastando. — A aula vai começar. Venha comigo.
— S-sim, senhor…
— Postura ereta! — ele latiu.
Monica, quase chorando, corrigiu a postura e o seguiu.
Embora normalmente usasse seu velho manto favorito, gasto pelo tempo, naquele dia ela vestia o uniforme da Academia Serendia: um vestido branco de peça única, com um bolero por cima, além de luvas brancas. Mesmo no Instituto Minerva, os filhos de nobres escolhiam usar suas próprias luvas, mas ali, na Academia Serendia, elas faziam parte do uniforme. Monica abria e fechava as mãos sem parar, incapaz de se acostumar à sensação. Dentro das luvas, suas palmas estavam úmidas de suor.
Por fim, chegaram à sala de aula, onde o senhor Thornlee a fez ficar diante do púlpito.
— Atenção, todos — anunciou ele. — Uma nova aluna se juntará a nós hoje: Lady Monica Norton.
Os olhos de todos os colegas se voltaram para ela. Só aquilo já bastou para deixá-la tonta. Ela se sentiu como uma criminosa em julgamento.
— Apresente-se, por favor — pediu o senhor Thornlee.
A garganta de Monica começou a travar. Só ficar exposta diante de tanta gente já era quase insuportável, e agora ele queria que ela se apresentasse!
Preciso… dizer alguma coisa…
Em situações assim, Louis lhe ensinara que bastava dizer meu nome é, em seguida seu nome, e então fazer uma reverência ou mesura. Mas, para Monica, até isso era uma provação assustadora.
Ela abriu a boca para tentar, mas só conseguiu mover os lábios sem emitir som algum.
O senhor Thornlee soltou um suspiro especialmente audível, sem se dar ao trabalho de esconder sua irritação. Foi como uma faca cravada no coração dela.
— Muito bem — disse ele. — Sente-se. Seu lugar é o último, junto à parede do corredor.
Ainda incapaz de responder, Monica caminhou até sua carteira com as pernas tremendo. A aula começou pouco depois, e o cérebro de Monica não absorveu absolutamente nada.
— Com licença?
Monica permanecia imóvel em sua cadeira, apesar do início do intervalo, quando ouviu uma voz bem ao seu lado. Alguém estava falando com ela? Mas e se a pessoa tivesse se enganado? Monica se viu incapaz de erguer o rosto ou responder.
Dessa vez, a pessoa tocou seu ombro.
— Olhe, estou tentando falar com você, aluna nova.
Monica se sobressaltou e então ergueu o rosto de forma desajeitada.
Quem a encarava era uma garota de cabelos louro-claros. Tinha pele clara, olhos grandes e uma energia vivaz. O cabelo estava preso em tranças elaboradas, e brincos igualmente elaborados pendiam de suas orelhas.
— Eu sou Lana Colette — disse a garota, examinando Monica da cabeça aos pés antes de colocar a mão na cintura. — Ei, por que você usa o cabelo em tranças tão básicas assim? Parece uma caipira. Ninguém nesta escola arruma o cabelo desse jeito.
Como Lana apontara, o cabelo castanho-claro de Monica estava dividido em duas tranças simples e frouxas. Louis havia lhe ensinado vários penteados adequados a uma jovem nobre, mas todos eram complicados demais, e ela não conseguia se lembrar de nenhum. As jovens nobres que haviam levado uma criada para o dormitório podiam pedir que a criada lhes arrumasse o cabelo, mas, é claro, Monica não tinha ninguém assim.
— E-eu… eu não sei muito bem… outro jeito…
E, naquele instante, todos que encaravam Monica pareciam dizer com os olhos: Era de se esperar. Com aquela frase, ela revelara que não trouxera criada consigo. A maioria das alunas que não trazia uma criada tinha algum motivo para isso.
— Onde você foi criada? — perguntou Lana.
A respiração de Monica ficou presa na garganta. Ela nascera e crescera em uma cidade relativamente próxima da capital real, mas, naquele momento, precisava fingir ser parente da Casa Kerbeck.
— …L-L-Liannack… — ofereceu ela. Era o nome de uma das cidades do território do conde.
— Ah! — exclamou Lana, arregalando os olhos. — A cidade grande perto da fronteira do reino! Eles recebem tecidos raros importados do país vizinho, não é? Ei, que estilos estão na moda em Liannack agora? Que tipo de vestido elas usam? E que tipo de echarpe?
A enxurrada de perguntas deixou Monica completamente perdida. Para começo de conversa, ela não era de Liannack. E mesmo que tivesse morado lá, não saberia nada sobre as últimas tendências.
— Eu, um… não sei muito… sobre essas coisas… Desculpe…
Lana comprimiu os lábios diante da desculpa murmurada e fez uma careta.
— Ei, por que você não usa maquiagem nenhuma? Pelo menos pó e batom você deveria usar, não? Veja o meu batom. É o produto mais recente de uma loja de cosméticos da capital.
Depois disso, Lana começou a criticar quase todos os detalhes da aparência de Monica.
— Ah, luvas com bordado nas bainhas são as mais fofas — dizia ela. — Não acredito que você não esteja usando nenhum acessório — e também: — Essas botas estão completamente fora de moda.
Monica só conseguia se desculpar e dizer, tremendo, que não sabia muito bem de nada daquilo.
E ela realmente não entendia nada do que Lana dizia. O penteado de Lana era muito elaborado, com lindos grampos de cabelo. Seu colar também era adorável, e a fita no pescoço tinha um bordado magnífico. Embora usasse o mesmo uniforme que Monica, Lana causava uma impressão completamente diferente.
Ao verem Monica em apuros, as alunas ao redor levaram seus leques aos lábios e começaram a sussurrar entre si.
— O pai dela não acabou de virar barão? E agora fica se gabando para uma caipira.
— Ninguém mais fala com ela, então só sobraram as meninas do interior.
— Ela deve estar mesmo desesperada, já que eles compraram o título de nobreza e tudo.
As vozes eram baixas, mas ainda altas o bastante para Monica ouvir. Obviamente, Lana também ouvia. As delicadas sobrancelhas da garota começaram a tremer e, por fim, ela jogou os cabelos louro-claros para trás e fungou.
— Hmph. Já tive o bastante disto. Conversar com você é entediante mesmo.
— …Desculpe.
Monica estava acostumada a ser chamada de entediante. Tinha plena consciência do quanto era sem graça. Os assuntos que empolgavam os outros não despertavam nada nela, e ela não sabia coisa alguma sobre as tendências mais recentes. Seus únicos interesses eram matemática e artes mágicas. Por isso, tudo que podia fazer era manter a cabeça baixa, não olhar ninguém nos olhos e esperar passar. Era o que fazia agora, imóvel como uma pedra.
De repente, Lana estendeu a mão e agarrou as tranças de Monica. Monica soltou um gritinho apavorado, mas Lana lhe disse para “ficar quieta”, em tom afiado.
Então Lana desfez as tranças de Monica e começou a refazê-las. Como não havia espelho ali, Monica não conseguia ver o que estava acontecendo em sua cabeça.
Por fim, Lana assentiu, satisfeita.
— Assim está bom — disse ela. — Viu como era simples? Agora aprenda a fazer sozinha!
Com isso, Lana marchou de volta para o próprio assento. Nervosa, Monica levou os dedos à cabeça e sentiu uma fita pendendo ali, lisa e macia ao toque.
A maioria dos alunos da Academia Serendia almoçava no refeitório da escola. O refeitório não apenas contava com uma variedade de chefs de primeira linha, como também possuía uma equipe completa de serviçais. Eles realizavam testes simples em cada leva de comida para verificar se havia veneno, de modo que os alunos pudessem comer em paz.
Alguns poucos alunos haviam trazido seus próprios chefs ou criados para os dormitórios e comiam no quarto depois que a refeição era preparada no refeitório. O segundo príncipe, a quem Monica deveria proteger, aparentemente era um desses alunos.
O que significa que não há motivo para eu ir ao refeitório…
Usando isso como desculpa, Monica escapou sorrateiramente da sala assim que o intervalo de almoço começou. Todos os colegas seguiam em direção ao refeitório, mas Monica foi contra a corrente e saiu do prédio da escola.
Ela tinha um punhado de frutas silvestres no bolso e esperava encontrar algum lugar sem muita gente para comê-las. Monica sempre fora boa em encontrar lugares isolados. Quando estudava no Instituto Minerva, vivia se escondendo em algum canto secreto para ler livros de artes mágicas e matemática. Como o clima estava agradável e não ventava muito naquele dia, Monica decidiu caminhar do lado de fora.
A Academia Serendia ficava em um terreno muito amplo, e seus jardins eram mantidos com esmero. As flores de verão haviam murchado, substituídas por botões de rosas de outono que começavam a desabrochar.
De modo geral, as escolas frequentadas por nobres iniciavam o ano no outono, enquanto as escolas para plebeus abriam as portas na primavera. Da primavera ao verão, os nobres ficavam ocupados com os eventos da temporada social, e o outono era quando os plebeus colhiam suas plantações. O calendário escolar de cada grupo era organizado para evitar esses períodos.
Embora Monica tivesse nascido plebeia, nunca frequentara uma escola com as outras crianças da cidade. Seu pai era um homem muito instruído e, enquanto esteve vivo, pôde ensiná-la pessoalmente. Após a morte dele, o discípulo de seu pai — por uma série de circunstâncias — tornou-se seu tutor e a matriculou no Instituto Minerva.
Era por isso que Monica não estava acostumada à vida em grupo. Mesmo quando estudara no Instituto Minerva, não tivera ninguém que pudesse chamar de amiga.
…Bem, havia uma pessoa, mas elas já haviam se despedido para sempre.
Ainda assim, graças ao seu talento para as artes mágicas, Monica conseguira se esconder no laboratório do Instituto Minerva. Mas ali, na Academia Serendia, isso não era possível.
Disciplinas ligadas às artes mágicas estavam disponíveis como eletivas, mas revelar suas habilidades complicaria as coisas. Com seu nível de ansiedade social, a magia sem encantamento era o único tipo que conseguia usar. E, se alguém ali descobrisse que ela podia conjurar sem entoar um encantamento, perceberia que ela era a Bruxa Silenciosa.
Soltando um suspiro, Monica tocou a fita em seu cabelo.
Eu não… nem sequer agradeci, pensou.
Era sempre assim. As coisas que queria dizer ficavam presas em sua garganta, e ela acabava engolindo as palavras sem conseguir pronunciá-las.
Se eu nem consigo conversar com uma colega de classe, como vou me aproximar do príncipe?
Ela precisaria fazer isso para protegê-lo, mas ele era aluno do terceiro ano, enquanto ela era apenas do segundo. Desde o começo, estavam em anos diferentes.
…Se o objetivo era proteger o príncipe, o senhor Louis poderia ter me colocado no mesmo ano que ele… Não, espere. Se estivesse mesmo levando isso a sério, teria enviado um homem. Afinal, os dormitórios masculinos e femininos são separados aqui!
Louis Miller podia ser arrogante e ter uma personalidade profundamente problemática, mas era talentoso. Sabia muito bem que aquela missão não podia falhar sob nenhuma circunstância. Ainda assim, seu “plano” para proteger o príncipe estava cheio de falhas. Só o fato de enviar uma pessoa extremamente tímida como Monica para a academia já era imprudente. Será que o senhor Louis tem outra coisa em mente…?, ela ponderou.
Enquanto atravessava os jardins, avistou de repente uma grande cerca perto dos fundos do campus. O terreno da academia se estendia além dali, mas toda aquela área estava isolada por um portão de metal. Uma placa pendurada no portão dizia: JARDINS ANTIGOS, EM MANUTENÇÃO. Ao observar melhor, porém, Monica percebeu que o portão não estava trancado.
…Duvido que muita gente entre aí.
Depois de se certificar de que não havia ninguém por perto, Monica entrou apressada nos jardins antigos. Espaços fechados como aquele eram esconderijos perfeitos.
A vegetação ali não estava tão descuidada, apesar da placa de EM MANUTENÇÃO que vira no portão. Contudo, ela quase não via flores. Aparentemente, haviam transferido as flores para os canteiros da frente. As únicas plantas em flor ali eram as gramíneas selvagens do outono.
Mas é um lugar bom e silencioso… Acho que consigo descansar aqui por um tempo, pensou Monica, sentindo-se um pouquinho mais animada enquanto procurava um bom lugar para se sentar. No entanto, seus passos leves pararam de repente assim que ela contornou um maciço de azaleias.
Mais ao fundo dos jardins, à beira de uma fonte desgastada, um jovem loiro estava sentado lendo. Como estava de cabeça baixa, ela não conseguia distinguir seu rosto, mas seu uniforme era o de um aluno da academia.
A expressão de Monica desabou. Ela tinha certeza de que aquele seria um bom esconderijo, mas alguém chegara antes. Acho que vou procurar outro lugar, pensou, com os ombros caídos. Mas, ao se virar para ir embora, ouviu o farfalhar da grama atrás de si.
Quando percebeu que algo estava acontecendo, um braço já havia agarrado seu pulso por trás. Ela soltou um grito.
— Peguei você! — disse a voz afiada de quem a segurava, enquanto a respiração dela travava de medo. — Você caiu direto na minha armadilha!
Monica virou a cabeça para olhar por cima do ombro e encontrou um jovem de cabelos castanhos olhando para baixo. Suas feições eram um tanto maduras, com olhos caídos. Ela se lembrava daquele rosto – mais precisamente, do ângulo em que os olhos dele caíam. Era um dos membros do conselho estudantil que haviam feito uma confusão no corredor no dia anterior.
Se bem me lembro do que Lady Isabelle disse… este deve ser Lorde Elliott Howard, da Casa Dasvy.
Elliott segurava o pulso de Monica com força demais para aquilo ser algum tipo de brincadeira. E nem tentava esconder a hostilidade nos olhos enquanto a encarava.
Elliott apalpou o bolso de Monica. Franziu a testa; conseguia perceber que havia algo ali, mesmo por cima do tecido.
— O que é isso no seu bolso? Uma arma?
— N-não, é… é o meu… almoço…
Ele soltou uma risada de desprezo diante da explicação desesperada dela, como se fosse absurda.
— Não existe aluno nesta academia que coloque o almoço no bolso.
— Ahhh…
Ele tinha razão. Nenhuma jovem nobre que estudasse na Academia Serendia levaria frutas silvestres no bolso para almoçar.
Quando Monica permaneceu em silêncio, Elliott abriu um sorriso audacioso e a encarou de cima.
— Eu conheço o rosto de praticamente todos os alunos daqui, com exceção dos primeiros anos. Pela cor do lenço do seu uniforme, você é do segundo ano. Mas não me lembro de já ter visto você. Então faz todo sentido concluir que é uma infiltrada disfarçada de aluna, não acha?
Ele fez uma pausa de propósito.
— Agora confesse! Quem contratou você?
Monica havia cruzado com Elliott no dia anterior, mas apenas por um instante muito breve, e estava olhando para baixo. Ele provavelmente não tinha conseguido ver bem seu rosto. Intimidada pela hostilidade na voz dele, ela começou a tremer como um pequeno animal acuado.
Não, não, não, não, não, não, não! Estou com medo, ele é assustador, isso é assustador!
Tomada pelo pânico, ela rapidamente lançou um feitiço de vento sem entoar um encantamento. Não era nem um pouco perigoso. A rajada bastava apenas para fazer alguém cambalear.
A poeira que o vento levantou, porém, acabou atingindo Elliott diretamente nos olhos. Ele a soltou e esfregou o rosto.
E-eu preciso aproveitar esta chance para fugir…
Monica, tomada pela adrenalina, escapou das mãos de Elliott e começou a fugir… ou, pelo menos, tentou. Sua coordenação motora era um desastre. Ao se virar, torceu o pé e caiu ali mesmo.
Ela soltou um gritinho tolo ao bater no chão, e o impacto fez as frutas saltarem do bolso e se espalharem por toda parte.
— Ah, não, ah, não, ah, não…
Enquanto tentava se levantar, completamente atrapalhada, alguém agarrou seu braço. Nervosa, ela se virou e acabou encarando diretamente os olhos caídos de Elliott.
— Você. Não. Vai. A. Lugar. Nenhum.
— N-nãããão!
Quando Monica desatou a chorar alto, o jovem loiro, que observava a cena sentado à beira da fonte, abriu a boca para falar.
— Elliott, solte a garota.
— Quê? Mas por quê? Se ela veio até aqui, não pode ser aluna da academia. Aposto o que quiser que Aaron a mandou como assassina para—
Antes que Elliott pudesse terminar a frase, o rapaz loiro levou o indicador aos lábios. Elliott se calou, parecendo constrangido, e soltou o braço de Monica.
Enquanto ela permanecia sentada ali, atordoada, o jovem loiro se agachou ao lado dela e começou a recolher as frutas do chão. Monica olhou para ele mais uma vez. Suas feições eram muito belas. Emoldurados por cílios longos, seus olhos tinham uma cor misteriosa: um azul-celeste brilhante com apenas um toque de verde.
— Ouvi dizer que uma nova aluna do segundo ano se juntou a nós este ano. Seria você, por acaso? Como mesmo disseram que era seu nome…? Ah, sim. Lady Monica Norton.
Monica fungou alto e assentiu.
Ainda recolhendo as frutas, o jovem loiro olhou para Elliott.
— Viu? Ela não é uma assassina. É só uma esquilinha que acabou se perdendo.
Ele pegou a mão de Monica e colocou em sua palma as frutas que havia recolhido.
— Desculpe por atrapalharmos seu almoço.
Monica tentou agradecê-lo. Afinal, ele se dera ao trabalho de se agachar para recolher as frutas. Mas estava tão nervosa que não conseguia formar palavras. Preciso agradecer direito…
Quando sua boca começou a formar o início de um “o”, os lábios tremendo, o jovem de repente ergueu os olhos, então passou os braços ao redor dela e a puxou para perto.
— Cuidado!
— …Hã?
Monica seguiu o olhar dele e notou algo despencando do alto. Se não fizessem nada, aquilo cairia sobre um dos dois.
Sem desperdiçar tempo, ela usou uma magia silenciosa para criar uma forte rajada de vento. A rajada atingiu o objeto em queda apenas o suficiente para fazê-lo cair ao lado deles, em vez de sobre eles.
O objeto fez um estrondo ao se espatifar em vários pedaços. Era um vaso de flores, e havia caído bem acima deles. Dependendo de onde acertasse, poderia ter causado algo pior do que um simples ferimento.
— Ainda bem que aquela rajada de vento passou… Você está bem? — perguntou o jovem, ainda segurando Monica e parecendo preocupado.
Monica, porém, não estava em condições de responder. Primeiro, fora confundida com uma suspeita e imobilizada. Depois, um vaso de flores quase caíra em sua cabeça. E agora estava nos braços de alguém que acabara de conhecer. Sua mente simplesmente não conseguia acompanhar a sequência de imprevistos. Seus nervos haviam sido esticados até o limite – e snap!
— …Ugh.
Os olhos de Monica reviraram. Alarmado, o jovem loiro a segurou antes que ela caísse no chão.
Uma grande sombra negra estava diante dos olhos de Monica. Ela tremeluzia e oscilava como se projetada pela luz de uma vela. Ao encará-la, atordoada, Monica pensou: Ah, não. Ele bebeu de novo.
A sombra negra a encarava, berrando e esbravejando. Em situações assim, era melhor não dizer nada desnecessário. Por isso, ela manteve a boca fechada, baixou os olhos e pensou em “Os Porcos do Velho Sam”.
Um porco, um porco, dois porcos, três porcos, cinco porcos, oito porcos, treze porcos, vinte e um porcos…
Fiquei tão feliz quando percebi que, tirando o um, dois números adjacentes nunca têm um divisor comum… Quando contei isso ao papai, ele me elogiou por ter notado…
Enquanto Monica divagava, vazia, a sombra negra desceu a garrafa de bebida que segurava na direção dela. Houve um estrondo. Estilhaços voaram para todos os lados. Estilhaços da garrafa? Não. Não, era…
…Era um vaso de flores.
— Wah!
Monica se sentou de repente, então apertou o peito para tentar acalmar as batidas incessantes do coração. Tinha a sensação de ter acabado de sonhar algo assustador. A parte de trás da cabeça latejava de forma surda.
Ela expirou. Enquanto tentava controlar a respiração, ouviu uma voz logo ao seu lado perguntar com hesitação:
— Você está bem?
Monica virou a cabeça de modo desajeitado. Uma aluna que ela não reconhecia a observava com preocupação. Era uma garota baixinha, de cabelos cor de avelã e um ar tranquilo.
— Quem… é v-você? — gaguejou Monica, desajeitada como sempre.
A garota abriu um sorriso tênue.
— Selma Karsh. Somos da mesma turma. Eu sou a encarregada de saúde da classe. Ouvi dizer que você tinha desmaiado e sido trazida para a enfermaria, então vim ver como estava.
Ah, pensou Monica. Estou em uma cama na enfermaria. O jovem loiro provavelmente a havia carregado até ali.
O que foi aquilo tudo? perguntou-se. Ela só estava procurando um lugar para comer seu almoço. Mas, em vez disso, por algum motivo, fora confundida com uma invasora e quase atingida por um vaso de flores… Parecia que tanta coisa havia acontecido, e tudo durante o intervalo de almoço.
Fora pura sorte ela ter conseguido desviar o vaso com sua magia. Se tivesse se atrasado por um instante, teria sido tarde demais, mesmo sem entoar o encantamento.
Enquanto começava a tremer, recordando o medo que sentira, Selma estendeu uma mão pálida e ajeitou delicadamente a franja bagunçada de Monica. Aqueles dedos brancos e esguios, as unhas em rosa-claro… As mãos de Selma estavam completamente livres de arranhões ou cicatrizes. Eram mãos de uma donzela que nunca fizera trabalho pesado. E eram completamente diferentes das de Monica, cobertas por calos de escrita.
— As aulas terminaram por hoje. Se quiser voltar para o dormitório, pode ir. Vou avisar ao senhor Thornlee que você acordou.
Sem dizer mais nada, Selma deixou a enfermaria em silêncio.
O céu além da janela estava tingido de vermelho pelo pôr do sol. Bastante tempo havia passado enquanto ela dormia. Monica saiu da cama e caminhou de volta ao dormitório a passos pesados, de cabeça baixa.
Fazia muito tempo que não era cercada por tantas pessoas, e seu corpo e sua mente estavam completamente exaustos. Seus pés pareciam tão pesados que era como se estivessem presos por grilhões de chumbo.
No dormitório feminino, com a hora do jantar se aproximando, as alunas estavam reunidas em pequenos grupos aqui e ali, entretidas com conversas leves. Monica manteve o olhar firmemente baixo, evitando todas, enquanto subia até o último andar. Caminhar pelos cantos, longe de olhares curiosos, era seu costume — fosse na academia ou na cidade. Era assim havia muito tempo. Ela sempre fora uma estranha, incapaz de se misturar às pessoas onde quer que elas se reunissem.
Por fim, chegou ao depósito no último andar. Subiu a escada nos fundos e empurrou a portinhola do teto que levava ao quarto no sótão. Durante sua lenta caminhada pelo campus, o sol já havia se posto por completo, e agora o quarto estava escuro o bastante para que ela não enxergasse a própria mão diante do rosto.
Monica acendeu o castiçal com um feitiço sem encantamento. As pessoas louvavam sua magia sem encantamento como um milagre, mas, para ela, ter uma vida escolar normal era muito mais difícil.
Ela retirou a fita que Lana usara para prender seu cabelo e a deixou sobre a escrivaninha. Depois, estendeu um lenço e colocou as frutas por cima. Elas ainda estavam no bolso.
Toc, toc.
Ela ouviu batidas na janela.
Ao olhar, viu vagamente a silhueta de um gato preto recortada contra a noite. Destrancou a janela, e Nero usou a pata dianteira com destreza para empurrá-la e abri-la.
— Bem-vindo de volta, Nero.
— Sim, voltei. E com um monte de informações ainda por cima! Elogie-me!
— …Aham. Obrigada.
— Ouça e fique impressionada! O segundo príncipe é aluno do terceiro ano e presidente do conselho estudantil.
Eram fatos que ela já sabia havia algum tempo. Mas Monica não teve coragem de dizer isso diante dos esforços de Nero, então simplesmente o ouviu sem falar nada.
— Isso significa que, se você se tornar membro do conselho estudantil, pode ficar perto dele naturalmente! Eu sou um gênio!
A sugestão de Nero acertava em cheio. Como o segundo príncipe e Monica estavam em anos diferentes, seria difícil para ela entrar em contato com ele normalmente. Se ela fizesse parte do conselho estudantil, porém, aconteceria o oposto. Mas…
Monica se jogou de rosto na cama e gemeu:
— Mas eu jamais conseguiria fazer isso!
Ter notas excelentes era uma condição indispensável para se tornar membro do conselho estudantil. Além disso, era preciso ter conexões com os membros atuais.
Nero a fitou com seus olhos dourados.
— Espera. Achei que você fosse integrante dos Sete Sábios, Monica. Você não é um gênio? Vá bem na próxima prova e tenho certeza de que vai conseguir…
Monica balançou a cabeça em silêncio e então alinhou os livros didáticos sobre a cama. A esmagadora maioria deles era sobre história ou idiomas. Afinal, aqueles eram os campos de conhecimento esperados dos filhos de nobres.
Mas o foco de Monica sempre fora as artes mágicas e tudo que se relacionava a elas. Ela conhecia muito bem história das artes mágicas, fundamentos das artes mágicas, biologia mágica, engenharia mágica e tópicos jurídicos relacionados às artes mágicas. Mas, quanto a quase todo o resto, exceto matemática, estava abaixo da média. Sua capacidade de memorização era extremamente enviesada: qualquer coisa ligada às artes mágicas, ela conseguia guardar na memória; quanto ao resto… bem, ela nem conseguia listar os cinco títulos nobiliárquicos em ordem.
— Você estudou naquela outra escola, não foi? Minerva, né? Não aprendeu nada de idiomas lá?
— …N-no Instituto Minerva, eu me concentrei em… escrita mágica antiga e língua dos espíritos…
Nenhuma dessas era uma disciplina normalmente ensinada aos nobres. A maioria das pessoas passava a vida inteira sem jamais tocar em qualquer uma delas.
Monica abraçou Nero contra o peito e baixou a cabeça.
— O que eu faço? Ah, o que eu faço…?
Naquele ponto, ela não estava em posição de proteger o segundo príncipe. Evitar ser reprovada na academia já exigiria tudo o que ela tinha.
Na verdade, havia um problema ainda mais fundamental…
— Muitas pessoas foram muito gentis comigo hoje — disse ela, olhando para a fita e as frutas sobre a escrivaninha.
Lana fora mandona, mas havia sido a primeira pessoa da turma a falar com ela. E o jovem que encontrara nos jardins antigos recolhera suas frutas. Isabelle já fizera tanto para apoiá-la, e Selma, a responsável de saúde, viera ver como ela estava.
— Para falar a verdade, eu queria agradecer direito a elas, mas eu…
Seus ombros caíram outra vez.
Nero olhou para cima.
— Espera, mas você consegue dizer obrigada para mim numa boa, não consegue? Acabou de dizer. Eu ouvi.
— É porque você não é humano, Nero…
O gato fez uma expressão difícil — uma expressão muito humana. Então, parecendo ter pensado em algo, balançou a cauda e saltou do colo de Monica.
— Certo, certo. Nesse caso, que tal eu ajudar? Você e eu vamos superar essa sua timidez.
— Nero? V-você não está querendo dizer…?
— Exatamente.
Nero pulou sobre uma cadeira e então deu uma sacudida com a cauda. Num instante, sua forma se dobrou e se esmagou até virar uma massa de sombra negra. Depois, essa sombra inchou, expandiu-se e assumiu a forma de um humano.
No espaço de dois piscares, a sombra ganhou cor, assumindo o tom de pele saudável, como se tinta estivesse sendo lavada de sua superfície.
— Viu? Que tal assim?
A criatura sentada na cadeira já não era um gato preto. Era um jovem que aparentava vinte e poucos anos, com cabelos negros e olhos dourados. Seu corpo estava envolto em um manto antiquado.
É claro que ele não era humano de verdade. Nero apenas assumira a forma de um. Monica sabia que ele era capaz de adotar forma humana e já o vira assim algumas vezes.
Ainda assim, o fato de haver um homem adulto bem diante dela fez o corpo de Monica encolher instintivamente.
Ela conseguiu soltar alguns guinchos em protesto. Seus olhos, vazios e voltados para baixo como sempre, estavam arregalados ao máximo, e seu corpo esguio tremia. Ela se fez tão pequena quanto podia sobre a cama e cobriu a cabeça com as mãos, como se tentasse se proteger.
— Não… Eu, não, eu não consigo… Nero, por favor… Volte a… a ser gato…
Monica estava à beira das lágrimas, e Nero fez bico. O gesto o deixou consideravelmente mais jovem.
— De. Jeito. Nenhum. Você consegue falar com Lou-lou-lou Lountatta muito bem, não consegue?
Pelo visto, Nero não tinha a menor intenção de se lembrar do nome de Louis Miller. Monica o corrigiu e se defendeu.
— É Louis! E, se eu não respondo direito, ele torce minha orelha!
— Uau… Aquele sujeito é sério mesmo? Que babaca. Não se preocupe, eu não vou torcer sua orelha nem nada. Que tal? Sou bem bonzinho, né?
Na verdade, Louis era o extremo da situação. O que Nero propunha era normal.
Nero cantarolou com orgulho e então avançou mais.
— Agora, seja grata, adore-me e diga obrigada!
Enquanto ele se aproximava aos poucos, Monica se inclinou para trás, e sua boca se abriu e fechou.
— Eep…! Ah, ah… O… Ob… Obri… bri…
Depois de conseguir espremer as primeiras sílabas, a boca de Monica começou a produzir palavras embaralhadas e sem sentido, misturadas a uma respiração pesada, entrando e saindo. Fora de contexto, ela pareceria doente.
Nero virou o rosto como uma criança emburrada.
— Hmph. Entendi. Você não está grata por eu ter me infiltrado na escola e conseguido todas essas informações para você, né? Não sei se algum dia vou me recuperar desse choque. Estou tão magoado!
— E-eu não… Eu sinto mui…
— Eu quero ouvir obrigada, não sinto muito. Vamos. Você precisa agradecer direito ao seu precioso familiar, Mestra — disse Nero, sentado na cadeira com as pernas pendendo de modo nada educado.
Monica apertou os olhos, cerrou os punhos sobre o colo e reuniu a voz.
— O-obrigada, como sempre, Nero!
— Aí sim! É disso que estou falando. Agora diga: Nero é o maior!
— Nero é o maior!
— Nero é tão maravilhoso!
— Nero é tão maravilhoso! — repetiu Monica, os olhos já girando.
Nero coçou a bochecha.
— …Estou começando a sentir que estou fazendo lavagem cerebral numa pessoa boa.
— Nero, você é horrível…
— Miau?! Eu estava fazendo isso por você… Hm?
Os olhos dourados de Nero se voltaram para a janela. Em seguida, ele a abriu e colocou o corpo inteiro para fora.
Monica puxou depressa a barra de sua roupa.
— N-Nero! É… é perigoso! Você vai cair…!
— Ei, Monica, olha. Aquele sujeito no pátio do dormitório masculino parece suspeito.
— …Hã?
Ela se levantou ao lado dele, inclinou-se para fora da janela e direcionou o olhar para o dormitório masculino. De seu quarto no sótão, tinha uma boa vista, mas naquela noite não havia lua, então não conseguia distinguir nada muito distante.
Em silêncio, usou uma magia para melhorar a visão à distância e em pouca luz. O feitiço, porém, não permitia enxergar através de obstáculos. Foi por isso que precisou se inclinar para fora da janela.
…Ele tem razão… Tem alguém no pátio do dormitório masculino…
A pessoa usava uma capa com capuz, então ela não conseguia ver seu rosto. Ainda assim, Monica vislumbrou cabelos dourados tremulando dentro do capuz.
Nesse instante, uma rajada de vento arrancou o capuz da figura.
Do ponto onde estava, Monica só conseguia ver a parte de trás da cabeça da pessoa. Imediatamente, gravou na memória as dimensões daquela cabeça.
A pessoa parou de se mover e puxou o capuz de volta, mas o vento soprou de novo, permitindo que Monica visse por um instante o que havia sob a capa. Por baixo, a figura usava um fraque elegante. Monica mediu visualmente o comprimento do tronco e das pernas antes que a pessoa atravessasse o pátio do dormitório e desaparecesse ao virar a lateral do prédio.
Nero estreitou os olhos, franzindo a testa.
— Não consigo mais ver. Tem alguma magia útil para essa situação?
— …Ele foi para trás do prédio, então não consigo acompanhá-lo mais longe… Mas…
Monica levou um dedo ao queixo e fechou os olhos. Números correram por sua mente em ritmo vertiginoso.
E esses números disseram a Monica um fato.
— Eu… Eu já encontrei essa pessoa antes. Anterior Próximo 🛒
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